sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

É QUE O CORPO DELE FOI ENCONTRADO...



Eu ainda estava sonolenta, afinal eram 07h29min da manhã e eu não acordo antes das 10, não por preguiça, eu durmo muito tarde.
E aquela voz me sentenciava ao sofrimento, ao desespero e fazia com que um... choque percorresse a boca do meu estômago e se estendesse pelo peito. Mas o coração não acelerou. Tomo remédios para evitar sobressaltos e diminuir a adrenalina.
Mas também, claro, eu poderia estar sonhando. Quantas vezes eu sonhei que já havia acordada, que estava chegando ao escritório, até descobrir, num sobressalto, que havia perdido a hora do trabalho.
Ah, claro, talvez estivesse acontecendo algo surreal, afinal, passava um pouco das três da madrugada quando eu o vi chegando. Não apenas escutei. Eu o vi chegando, principalmente que eu estava dormindo na sala, num colchão de solteiro e ainda não havia pegado no sono. Na verdade, ele chegou pouco depois que eu havia acabado de desligar a televisão. Abriu a porta sem fazer qualquer ruído, entrou, fechou de-va-ga-ri-nho, auxiliando a parte de baixo com a bunda, pois a porta estava meio emperrada. Eu abri os olhos, e o vi passando por mim e indo direto para o quarto.
Como no dia anterior, eu havia brigado com ele por estar sempre chegando de madrugada, resolvi fingir que estava dormindo pra não precisar chamar a atenção dele pelo horário.
Pensei na depressão pela qual ele passava por causa da morte de minha irmã, mãe dele, que havia nos deixado no domingo de Páscoa e pensei no quanto ele estava sofrendo, já que ao amanhecer, faria cinco meses da morte da Nilce.
Pegava-o, constantemente, chorando em desespero, no cantinho do quarto onde dormia, sentado na beiradinha da cama.
Remédios para dormir... ele tomava qualquer um que encontrasse pela frente. Quando não havia mais nenhum, ele se enchia com uns quatro a cinco comprimidos de Dramim para conseguir cair no sono.
Eu tentei que ele se desabafasse comigo. Minha filha Natália conversou muito com ele, meu genro Fábio também. Tentávamos deixá-lo o mais à vontade possível, tentávamos fazer até com que ele falasse, pois era muito introspectivo. Era capaz de ficar um dia inteiro sem pronunciar uma palavra sequer, e até sem sorrir. Quando se dava ao “trabalho” de falar alguma coisa, era preciso pedir que repetisse mais de uma vez para que pudéssemos entender... Mas fazia um café que era uma de-lí-cia! Como numa certa propaganda: “Êita cafezinho bão!”
Mas naquele momento alguém me acordava perguntando pela Dona Nilce. A Dona Nilce faleceu, vai fazer cinco meses amanhã – eu disse.
Então aquela voz me perguntou meu nome e o que eu era da Dona Nilce... Quando eu respondi que era irmã dela, ele então perguntou: “A senhora, então, é tia do Pedro Constantinos Tho... mo... poulos... Filho? Ele se engasgara ao pronunciar o sobrenome do meu sobrinho, nome grego, “Thomopoulos”.
Logo depois ele perguntou: “Quem é Rondineli Jorge Lima?”
Nessa altura eu já “sabia”: o Pedro havia sido preso, ou havia sofrido algum acidente grave... talvez um tiro, uma bala perdida...
Rondineli é irmão do Pedro, mas mora no Rio – eu falei – mas como o senhor chegou a esses nomes? “Pelo cadastro da polícia civil”.
Então, agora eu tinha “certeza”. Pedro estava mal no hospital ou se envolvera em alguma briga e pediu ao policial que ligasse pra minha casa... mas ele não ia pedir para ligar para a Dona Nilce... isso então podia significar que...
“É que o corpo dele foi encontrado no Bairro Solimões, próximo ao sanatório...”
Eu me senti sem chão. O corpo dele. O corpo dele. O corpo dele... Moço, o senhor disse “corpo dele”?!? Quer dizer que...
“Ele veio a óbito.”
E eu não podia me aprofundar nas perguntas, afinal, a minha irmã Nilva (deficiente mental), apaixonada pelo “Didigo” – ela só o chamava de Rodrigo – estava acordada, no quarto ao lado.
Morreu de quê, moço? Tiro, atropelamento?...
“Isso a senhora só vai poder saber no IML.”
No IML! Meu pensamento gritava. IML... Instituto Médico Legal... cadáver... autopsia... Meu sobrinho está MORTO!!!
Desliguei o telefone, que tocou quase de imediato... alguém querendo saber se tinha plano funerário... se podia deixar um telefone para no caso de eu precisar de uma funerária... falou de vantagens no preço, na “recolha” do cadáver!... CA-DÁ-VER! Esse era agora o nome do meu sobrinho.
Mas eu tinha visto quando ele chegou de madrugada, pouco depois das três...
   Agora eu precisava falar com minha filha Natália que havia saído para a faculdade. Meu genro também estava trabalhando. Minha irmã Nilsa, minha mãe em Barra do Piraí/RJ. O irmão Rodinei que já devia estar no trabalho.
E a Nilva, ali no quarto? Ela compreende tudo que se fala... eu precisava fazer as ligações longe dela. Peguei o telefone sem fio e fui até o portão para, só então, perceber que eu estava seminua.
Primeira ligação que fiz foi pra minha filha. Pedi que viesse pra casa porque eu estava passando mal. Segurei o choro, controlei a respiração. Liguei então para o meu genro e disse: “Vem pra casa! A Polícia Civil ligou aqui e disse que encontraram o corpo do Pedro.”
A “ficha” não havia caído por completo. Ele, o Pedro, havia chegado em casa naquela quinta-feira de madrugada. Dormiu muito, levantou-se por volta de uma da tarde. Estava mancando, como se tivesse caído ou levado uma surra. Pedi a Natália que passasse dois comprimidos de diclofenaco de potássio pra ele. Ele se deitou mais um pouco e quando acordou estava andando melhor. Tomou um banho, tomou café e se sentou no sofá.
A Natália estava fazendo cachorro-quente quando ele disse que ia sair. Ela insistiu muito pra que ele ficasse, em vão, então pediu que não demorasse para poder comer o cachorro-quente.
Quando eu saí do banho, ele já havia ido pra rua. Naquele final de tarde de quinta-feira, dia 18/09/2014.
Aquela ligação na manhã de sexta-feira, 19/09 me dava conta de que não havia mais nada que eu pudesse fazer que não fosse ir ao IML.
Precisei ligar para o irmão dele, Rondinei, que havia acabado de chegar ao trabalho. A reação dele foi de desespero... O PEDRO, tia???
Ligação para Barra do Piraí. Liguei para o sobrinho Wellington que estava no trabalho (maquinista) e a reação foi de susto, de incredulidade. Pedi que avisasse à mãe dele, minha irmã Nilsa, que iria até o Bairro Belvedere levar a notícia para a minha mãe (avó do Pedro) e para o irmão dele mais velho.
Não sei o que as pessoas carregam no coração. Não sei como conseguem sentir ódio. Quer saber? Eu nem sei como é o ódio. Já senti muita raiva de muita gente, mas ódio... Ódio é um luxo a que eu não posso me permitir.
A vida já está tão desgraçada, tão violenta, tão injusta... E as pessoas ainda encontram tempo para sentir ódio! Mas por que estou me referindo ao ódio? Simples: quando minha irmã Nilsa foi ao Belvedere levar a triste notícia, de um jovem de 24 anos tirado do convívio da gente por meio de cinco tiros na cabeça, o irmão mais velho, Rondineli pulou, deu vivas, bateu palmas e festejou muito. Segundo me disseram, ele ainda afirmou que só não comprava bala e algodão doce para todas as crianças do bairro, porque estava sem dinheiro.
Sei que nunca mais a minha vida será a mesma. Não consigo dormir, mesmo a poder de remédios, porque ao me deitar, todos os acontecimentos daquele dia, em especial a voz do policial “é que o corpo dele foi encontrado” não saem da minha mente. E eu revivo o telefonema, o IML (durante o dia todo aguardando a liberação d corpo) com o vídeo apontando os nomes dos “cadáveres”. E eu devo ter lido, sei lá quantas vezes, o nome de Pedro Constantinos Thomopoulos Filho. Exame iniciado (NÃO). Previsão de liberação (13h), mas só liberaram mesmo depois das 18 horas.

Quando peguei o Boletim de Ocorrência, notei que, pelo horário que a polícia encontrou o corpo, naquela hora que ele chegou em casa vagarosamente, na verdade ele já estava morto.  

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A MARCA DE CAIM


Qual foi o sinal (marca) que Deus colocou em Caim?

Resposta (Fonte Bíblia Sagrada):
 
“Agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue de teu irmão. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra. Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha punição do que a que eu possa suportar. Eis que hoje me lanças da face da terra; também da tua presença ficarei escondido; serei fugitivo e vagabundo na terra; e qualquer que me encontrar matar-me-á. O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontrasse.” (Gn 4:11-15)


Algumas pessoas entendem e afirmam que a marca que Deus colocara em Caim foi a “marca de homicida”, e ainda dizem que todos os assassinos são descendentes de Caim. Outras defendem que a marca foi “pintar” a pele de Caim com a cor negra e afirmam que os negros são descendentes desse personagem.
No primeiro caso, podemos apontar o grande engano, haja vista que depois do dilúvio, todos os habitantes da terra eram descendentes de Noé. Só a família de Noé sobreviveu, e Noé não era descendente de Caim, e sim, de Sete. De pai para filho: Adão foi pai de Sete, que foi pai de Enos, que foi pai de Cainã, que foi pai de Maalael, que foi pai de Jarede, que foi pai de Enoque, que foi pai de Matusalém, que foi pai de Lameque, que foi pai de Noé (não confundir o Lameque e o Enoque filhos de Sete com o Lameque e o Enoque filhos de Caim). Então, vimos que Noé não era descendente de Caim, daí que, depois do dilúvio, não havia um “descendentezinho” de Caim, nem “pra remédio”.
No segundo caso, podemos apontar o grande engano simplesmente pelo primeiro caso: se não havia nenhum descendente de Caim, os negros não podem ser “a marca de Caim”.
A Bíblia não nos dá, por si só, instrumentos suficientes para identificarmos, por uma simples leitura, qual a marca (sinal) que Deus pusera em Caim, e é aí que entra a interpretação do texto, utilizando-se, para isso, o contexto, não só daquele momento, mas de toda a Palavra.
Há que se conhecer o caráter do personagem, as circunstâncias dos acontecimentos e os atributos morais de Deus para que possamos nos “transportar” para aquele momento.
A Bíblia não nos traz riquezas de detalhes quando os fatos não são relevantes, daí, vemos que Gênesis, 4:1 narra o nascimento de Caim; no versículo seguinte o nascimento de Abel e no mesmo versículo 2 já vem citando a profissão/ocupação de cada um (ou seja, adultos). Não sabemos se quando crianças tiveram sarampo, rubéola, catapora, ou gripe; não sabemos do que brincavam, o quanto brigavam (coisas comuns entre irmãos), ou mesmo se os dois se davam bem.
Não sabemos, também, que idade eles tinham quando aconteceu a tragédia de um irmão matar o outro, mas, sabemos, em leitura geral da Bíblia, que os personagens daquela época viviam quase mil anos, (Adão 930 anos; Sete 912; Enos 905, etc.) daí deduzirmos que a terra já estava, inclusive, habitada por vários seres humanos, todos provenientes da mesma família (Adão e Eva), do mesmo sangue (pois do contrário não havia como se multiplicarem), já que a preocupação de Caim, ao receber o castigo, era a de ser morto por alguém.
Note-se que, se houvesse ali apenas Adão, Eva e o filho Caim – pois Abel já havia sido assassinado – quem poderia matar Caim, caso o encontrasse? Não havia ainda a lei, e sem a lei não havia casamento – propriamente dito – e menos ainda a proibição de relações sexuais entre irmãos, primos, etc. O ser humano era apenas homem e mulher. Depois, com Moisés, é que surgiram as leis sociais, morais e criminais – de onde se originaram os códigos civis e penais existentes na maior parte do mundo.
Esclarecidos esses pontos, temos então:     

O caráter do personagem: Não precisamos nos transportar para o início de tudo para termos ciência de que desde que o mundo é mundo, e o ser humano ser humano, o filho mais velho sempre – ou quase sempre – tem ciúmes do filho mais novo. Caim era o mais velho e, como a maioria dos filhos mais velhos, era ciumento. Caim tinha ciúmes de Abel. Com certeza, ao ver sua mãe dar mais atenção ao irmãozinho, desde a infância, Caim se encheu de ira. Vai ver até que já havia pensado em “afogar Abel na banheira”.
Como filho mais velho, Caim precisou pegar mais no pesado e ajudar seu pai a lavrar a terra para o sustento da família. Trabalho árduo, pesado mesmo, de sol a sol. Abel já ficava mais no “bem-bom”, pois para pastorear não é necessário pegar peso, não é necessário ficar no sol – a partir do momento que as ovelhas estão pastando, bebendo água, o pastor pode descansar na sombra, “ler um gibi” e até tirar um cochilinho.

As circunstâncias do acontecimento: Caim já estava “fulo” da vida. Trabalhava feito escravo, não tinha tempo para descanso. Olhava torto para Abel (que não se sabe se era um “santinho” ou se ficava, como todo irmão protegido, fazendo caretices e deboches para irritar o irmão – se fosse hoje, com certeza, Caim encontraria um Abel debochado e cantando para ele o tema da escrava Isaura). “Esse cara” – diria Caim – “está se achando, ele vai ver só”.
Como se não bastasse, no momento de ofertar ao Senhor, ao Todo-Poderoso, Abel se saíra melhor.
A Bíblia também não nos mostra o que havia de errado na oferta de Caim, mas, trazendo para os dias atuais, podemos criar algumas circunstâncias “parecidas” e até tecer algumas considerações e/ou especulações do que pode ter ocorrido naquela época.
Vejamos: Temos um personagem dono de um açougue e outro personagem dono de uma floricultura. Os dois, convidados a um evento, deveriam levar um presente/oferta ao anfitrião.
Pois bem, o dono da floricultura, que estava ansioso pelo encontro, que contava nos dedos os dias que faltavam para estar ali, já com antecedência elabora um arranjo de flores maravilhoso, embala em celofane colorido, finaliza com um fantástico laço de fitas. Ainda, para que o anfitrião se agrade mais, escreve um cartão em papel especial, com letras próprias de um calígrafo.
Já o dono do açougue, por motivos que não nos cabe especular, quando se lembrou do evento e de que precisaria levar um presente/oferta, de seu estabelecimento, já estava em cima da hora. Não dava mais tempo de pensar em nada especial, mas era obrigatório estar no evento, como era obrigatório levar algo. Precisava cumprir o compromisso. Ele olha no freezer, na vitrine. O que estava mais fácil era um pouco de asinhas de frango. Ele pega um saco plástico, põe as asinhas ali, dá um nó, coloca numa sacolinha de plástico e leva.
Não há necessidade de muita inteligência para saber qual o presente agradara mais ao anfitrião. E nem é preciso que o anfitrião diga qualquer coisa. Só pela reação ao receber o presente, o dono do açougue nota que “pagou mico” e sente vontade de “trucidar” o dono da floricultura.
Podemos, nesse contexto, confrontar o que aconteceu em Marcos 12:41-44 e Lucas 21:1-4. Os ricos “enfiavam a mão no bolso”, pegavam moedas à vontade – sem amor, sem compromisso, sem o cuidado de agradar – e depositavam no gazofilácio. A viúva, no entanto, por amor, por cuidado, por querer agradar e dar o melhor, depositara as únicas moedas que tinha. Jesus, claro, se agradou da oferta dela, que era dada de coração.
Então, de acordo com as circunstâncias do acontecimento, podemos concluir que Deus se agradou da oferta de Abel não por ser a melhor e mais cara, mas pelo cuidado, pela preocupação em agradar, pela deferência com que fora tratado por Abel. E nessa circunstância, Caim sentiu vontade de “beber o sangue” de Abel – quase que literalmente.

Os atributos morais de Deus: Deus é bom, é amor, é misericordioso; Deus é compassivo, é longânime, é paciente e lento em irar-se; Deus é verdade, é fiel, é justo.

Por ser bom, Deus cuida até dos ímpios (Mt 5:45; At 14:17). Deus é bom, principalmente para os que o invocam em verdade (Sl 145:18-20). O versículo 19 diz que Deus ouvirá o clamor dos que o temem e os salvará.
Caim invocou o Senhor, com o coração aberto, verdadeiro, reconhecendo a grandeza do Criador, isso suscitou a misericórdia do Senhor e Deus, em sua misericórdia que dura para sempre, o salvou de morrer assassinado.
Por ser misericordioso, Deus não nos trata segundo os nossos pecados (Sl 23:10). Por sua misericórdia, Deus perdoa os nossos pecados se confessarmos, se nos arrependermos. Caim, naquele momento, estava prostrado diante do Pai. A autoridade máxima o sentenciava; ninguém havia que poderia salvá-lo.
Caim soube pedir, soube orar. O poder da oração é incontestável. E Deus ouviu sua oração, seu pedido, seu clamor.
Por ser compassivo – ter compaixão, sentir tristeza pelo sofrimento dos outros – Deus sentiu desejo de ajudar Caim, embora não pudesse – pela sua própria palavra – retirar a punição. O perdão vem, mas as consequências pelos erros também. Deus perdoou Caim, por isso, ainda que tivessem restado descendentes dele depois do dilúvio, seria incoerente Deus “punir” tais descendentes.
Por ser fiel à sua própria palavra, Deus manteve o castigo infligido a Caim. Ele seria um “pobre-coitado”, um desgraçado – desprovido da graça de Deus – e andaria errante pela terra, mas Caim podia contar com a longanimidade do Senhor.
Por ser longânime – generoso – Deus reconsiderou sua decisão e, atendendo ao clamor sincero do pecador, atenuou a pena e Caim recebeu a proteção divina para não ser assassinado.
     

A marca em Caim: Devemos partir do princípio de que Deus é mais simples do que imaginamos. A hermenêutica nos leva a concluir que essa marca era a marca da promessa. Promessa feita a Caim de que ele não seria assassinado. Não era uma marca visível, como visível não é a marca da promessa que o Cordeiro nos deu com o seu sangue, a marca da salvação, da vida eterna.
Deus não é homem para se arrepender, mas é Deus para reconsiderar, como reconsiderou sua decisão inúmeras vezes (vemos isso na Bíblia em várias ocasiões, como por exemplo, no tempo de vida de Ezequias – Is 38:1-5).
Caim pecou feio. Deus o sentenciou com o castigo de “sair de diante de sua face e andar errante pela terra”. Imediatamente Caim, na humildade de sua insignificância diante de Deus, argumentou no sentido de “Tenha misericórdia, Senhor!” Misericórdia é um favor imerecido. Não merecemos, mas Deus, por ser amor e misericórdia, nos concede. Então, Caim, reconhecendo sua fragilidade, sua insignificância diante do Todo-Poderoso, [ajoelha-se], podemos crer pela fé e pela posição de arrependimento de Caim, e diz: “Senhor, este castigo é demais para mim, eu não poderei suportar. Além de me mandar sair de diante de sua face, o Senhor ainda me faz andar errante pela terra... Deus, sem sua proteção, qualquer pessoa que se encontrar comigo me matará. Não posso sobreviver à Sua ira...
Então, Deus, que é amor e misericórdia, reconsiderou. Não retirou o castigo, pois palavra de Deus, palavra de Fogo, palavra de Majestade não volta atrás, mas reconsiderou. “Tudo bem, Caim, não posso retirar o castigo, mas vou lhe colocar um sinal (marca) e qualquer que o matar terá seu sangue vingado em sete pessoas de sua família” (em outras traduções, sete gerações, em outras, ainda, será vingado sete vezes). E pôs a marca. Não era uma marca visível, como visível não é a marca da promessa do Cordeiro, repito. Era uma marca de proteção que impedia qualquer pessoa de assassinar Caim.
Fazendo uso da linguagem dos espíritas, podemos dizer, para que se entenda melhor, que “Caim tinha o corpo fechado” por Deus. Ou seja, ele poderia morrer de doença, poderia até morrer de fome, “morrer de susto”, “morrer de rir”, “morrer de soluço”, “morrer de raiva”, mas não morreria assassinado. Sim, é simples, como Deus é simples.
Mais tarde, sete gerações depois (a contar de Adão: Adão, Caim, Enoque, Irade, Meujael, Metusael, Lameque), Lameque comete o mesmo crime: mata por motivo fútil um jovem – apenas porque o jovem deu-lhe uma pancada – e imediatamente declarou, já que havia uma jurisprudência criada (Deus havia aberto um precedente ao proteger Caim mesmo depois do crime): “Ouvi minha voz, ó esposas de Lameque; Dai ouvidos à minha declaração: matei um homem por contundir-me, sim, um jovem por dar-me uma pancada. Se Caim há de ser vingado sete vezes, então Lameque setenta vezes e sete.” 
Por falar nisso, Lameque viveu 777 anos: 7 de Caim mais 77 declarado por ele e que, colocados lado a lado, resulta no número 777.
Podemos confrontar com PERDOAR 70 vezes e sete (Mt 18:22).
Se toda ação provoca/atrai uma reação (3º Lei de Newton), se quando Deus cria algo, imediatamente estabelece o seu contrário [cf. “O Alerta Final”, palestra do pastor Wander Santos – (31) 8874-1719], ao criar a jurisprudência divina de VINGANÇA setenta vezes e sete, imediatamente estabeleceu o contrário: PERDÃO setenta vezes e sete.
O original hebraico traz 70 vezes e sete, o que daria setenta e sete. Outras traduções dizem setenta vezes sete, o que alguns traduzem como 490 vezes. Porém, devemos nos lembrar de que na numerologia o número sete, além de significar sagrado, perfeito e poderoso, traduz “infinitude”, infinidade (infinitamente). Daí, se em vez de multiplicarmos setenta vezes sete colocarmos o número sete várias vezes, lado a lado, até completar 70 vezes (777777777777777...), estaremos diante de um número impossível de ser lido, daí, teremos a resposta de Cristo: Devemos perdoar sempre, INFINITAMENTE.

Nilma Lima

Belo Horizonte (31)8386-1717
Escritora e Jornalista
Professora de Hermenêutica Bíblica e Bibliologia.
nilmarialima@yahoo.com.br

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

JÓ – O LIVRO MAIS ANTIGO DA BÍBLIA – ESTUDO




Vamos esclarecer, aqui, essa “curiosidade” sobre o Livro de Jó.
Pessoas, sites de busca, bíblias e alguns livros, ao falarem sobre o Livro de Jó, afirmam: “O Livro de Jó é o mais antigo da Bíblia”. Uma pessoa fala, comenta e as outras vão atrás, repetindo como papagaios sem a menor preocupação de pesquisar para fundamentarem o que estão dizendo.
Pois bem, depois de intensa leitura e pesquisa, vou citar aqui os acontecimentos e/ou motivos que nos levam a dizer que o Livro de Jó é mais antigo que o Livro de Gênesis, ou seja, os fatos descritos por Deus, ali em Jó, aconteceram muitos milhares de anos antes dos fatos narrados em Gênesis.
O vers. 1, do cap. 1, de Gênesis fala sobre o princípio de tudo (a criação a partir do nada). “No princípio Deus criou os céus e a terra.” (daquela maneira que o próprio Deus descreve a Jó). Isso quer dizer que em Gênesis 1:2 é descrita não a criação, mas a recriação da terra.
A posição do Livro de Jó, depois do Livro de Ester, se dá apenas para seguir o estilo de escrita. É como se resolvêssemos separar várias fitas de tecidos diferentes. Então, colocamos as fitas de seda, depois as de cetim, mais à frente as de algodão, e assim por diante – independentemente da cor, tamanho, ou época em que foram compradas. A Bíblia segue esses parâmetros: Primeiro, os cinco livros da Lei ou Pentateuco (De Gênesis a Deuteronômio); depois, os doze livros que narram a trajetória dos judeus – conquista da terra prometida, cativeiro na Babilônia e retorno à terra dada por Deus (De Josué a Ester); mais à frente, os cinco livros de sabedoria (De Jó a Cântico dos Cânticos), e assim por diante. Os livros não seguem uma cronologia, tanto assim que o Livro de Jó não é continuação do Livro de Ester.
Evidências nos permitem analisar e afirmar que Jó viveu no tempo dos patriarcas: o estilo da escrita; o modo de como se agia em relação aos sacrifícios a Deus; o tempo de vida de Jó, entre outros fatores.
Em relação aos sacrifícios – No tempo de Arão, Moisés e dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, os sacrifícios oferecidos a Deus eram apresentados pelos próprios chefes de família e em locais diversos, como o altar edificado por Noé, logo após o dilúvio, onde ofereceu holocaustos que agradaram a Deus (Gênesis 8:20-21); os altares edificados por Abrão (Gênesis 12:7-8); a coluna de pedra erguida por Jacó, em que derramou libação e azeite (Gênesis 35:14); etc. Jó também oferecia, ele próprio, sacrifícios a Deus (Jó 1:5; 42:8). Diferentemente de quando o povo de Israel alcançou a terra prometida: os sacrifícios só podiam ser oferecidos por sacerdotes israelitas e em local determinado por Deus.
Em relação ao tempo de vida – O Livro de Jó nos dá conta de que ele era um homem casado, pai de dez filhos, possuidor de muitas terras, muitos servos, ovelhas, gados, bois. Seus filhos, segundo podemos observar, eram adultos, ou seja, Jó era um homem de muita idade, talvez mais de 400 anos. Depois de sua provação e intenso sofrimento, Jó viveu ainda mais 140 anos, teve mais dez filhos e ainda viu seus netos e bisnetos (Jó 42:16-17). Jó pode ter vivido mais de 600 anos. E sendo assim, podemos deduzir que ele viveu na época de Adão, o qual morreu aos 930 anos; de Sete, que morreu aos 912 anos; de Lameque, filho de Matusalém (777 anos); de Noé (950 anos). Jó pode ter sido um dos homens que a Bíblia trata em Gênesis, capítulo 6, final do versículo 4: “estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama.” (Almeida Corrigida e Revisada); “Eles foram os heróis do passado, homens famosos.” (Nova Versão Internacional); “Os Nefilins eram os valentes que houve na antiguidade, varões de renome.” (Sociedade Bíblica Britânica). Ou seja, Jó viveu antes dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó.
O personagem Jó poderia ter sido citado no livro de Crônicas, mas foi citado em separado para evidenciar sua vida, sua vivência com Deus, seu sofrimento, sua confiança no Criador.
Crônicas, na verdade, nos dá outra prova de que os livros não seguem uma cronologia. Em Crônicas, são citados os personagens que viveram 500, 600, 930, 969 anos. Porém, em Gênesis, primeiro livro da Bíblia (não primeiro livro escrito), no capítulo 6, versículo 3, temos:
“Então disse o Senhor: ‘Por causa da perversidade do homem, meu Espírito não contenderá com ele para sempre; e ele só viverá cento e vinte anos.’” (Gênesis 6:3 – Destaquei)

Jó viveu naquele tempo ali, em que viveram Adão, Lameque, Noé, etc., antes dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó.
Abraão viveu 175 anos; Isaque  morreu aos 180; José morreu com 110 anos; Moisés, 120, etc. 

domingo, 29 de julho de 2012

E POR FALAR EM MALDIÇÃO...



Com certeza, muitos dos nossos irmãos, quando lerem a palavra maldição, vão sentir o desejo de ler a matéria (e eu torço para que isso aconteça) a fim de se “interarem” mais sobre esse tema tão usual no dia-a-dia do crente, já que nós, exercitando nosso “crentês” (língua falada pelo crente), não podemos deixar passar a oportunidade de nos “aprofundarmos” no assunto.
Pois bem, há bem pouco tempo, eu estava pesquisando uns artigos para o meu novo livro “Verdade Seja Dita” e me deparei com uma enxurrada de crentes que se dizem nascidos de novo, mas que, na verdade, morrem de medo do diabo, da preta-velha, do saci-pererê, do Zumbi dos Palmares, dos Flinstones, da Xuxa... E que, infelizmente, não temem, não têm medo de Deus. E olha que a Bíblia é muito clara ao nos alertar de que “O princípio da sabedoria é o temor a Deus.” (Provérbios 9:10) e que “Horrível coisa é cair nas mão do Deus vivo.” (Hebreus 10:31).
Mas o que eu encontrei, repito, foi um exército de evangélicos (nascidos de novo), mas morrendo de medo de tudo, quiçá, até da própria sombra (se alguém vier a “ensinar” que sombra é assombração e que como sombra vai assombrar [blá blá blá])... Evangélicos que acreditam em tudo que é dito, sem se importarem em pelo menos conferir a “veracidade” dos fatos, sem investigarem de onde surgiu tal “verdade” ou boato.
Nesses tempos em que a internet (verdadeiramente) impera na vida dos seres humanos, é muito mais fácil fazer com que se alastrem notícias, “verdades”, “revelações”...
Eu fico triste e preocupada com o tempo que se perde lendo, comentando, pregando a respeito de coisas satânicas, mensagens subliminares... classificando onomatopeias (figura de linguagem em que a pronúncia da palavra lembra ruídos [atchim]; gritos [yahoo!]; canto de animais [cocoricó]; sons da natureza [chuá]; barulho de máquinas [brum, brum]; sons de festividade [tim-tim]; som de instrumentos musicais [paticumbum], etc., que – desprezando-se a gramática – viram termos satânicos, viram evocações demoníacas...
Antes de continuar, deixo bem claro que sou crente em Jesus, sou evangélica há mais de vinte e cinco anos, professora em Escola Bíblica (Bibliologia e Hermenêutica) e não condeno a função pastoral, desde que, além da sabedoria, o pastor tenha discernimento e não aja como um “papagaio” que fica repetindo o que escuta, ou o que lê, sem se aprofundar no assunto, ou que – o que é pior – ouça algo como “Carolina de Sá Leitão” e, por conveniência, por falta de cultura, por pura “idiotice” passe adiante um “Caçarolinha de assar leitão”, fazendo-nos tropeçar e nos perder em coisas que não edifiquem ou que não contribuam para a nossa vida de libertos em Cristo.
Quando esse tipo de atitude parte de um líder espiritual, de um pastor que, obrigatoriamente, deveria ter sabedoria, inteligência e discernimento, na verdade essa pessoa está “fazendo com que o cego erre o caminho”. Na verdade, está fazendo com que a nossa salvação fique “dando voltas no deserto” quando poderia ser conquistada e consolidada apenas e tão-somente com os ensinamentos bíblicos.
A Bíblia traz em Deuteronômio 27:18 que:

Maldito aquele que fizer o cego errar o caminho.”

E é o que fazem essas pessoas que ficam, como acontece em teatro, “fazendo barrigada” ou “enchendo linguiça” com acréscimos intermináveis e injustificáveis, como se a Palavra de Deus não nos bastasse.
Chegamos às igrejas muitas vezes – ou quase sempre – cegos. Não conhecemos Jesus, não conhecemos a Verdade e caímos nas mãos daqueles que engrossam as fileiras dos que preferem levar o cego por caminhos tortuosos.
Bastariam os ensinamentos de Jesus Cristo para que alcançássemos a salvação. Ensinamentos básicos, como abrir a boca, confessá-Lo como único Senhor e Salvador, crer que Deus o ressuscitou dentre os mortos, passar pelo batismo do arrependimento, com água, para o perdão dos pecados. E, claro, a partir daí, na certeza de que Jesus Cristo salva, cura, batiza com o Espírito Santo e que voltará, de acordo com Sua promessa, passemos a ler, estudar a Bíblia, meditar nas Escrituras, conforme Ele mesmo nos exortou/ensinou e, reconhecendo-nos como pecadores, pois “não há um justo sequer... Não há quem faça o bem, não há nem um só.” (Romanos 3:10, 12), busquemos sempre a santificação, busquemos sempre as coisas do Alto, moldando em nós o caráter de Cristo que é o fruto do Espírito.

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio...” (Gálatas 5:22)

Notemos: não são os frutos; é o fruto. O fruto do Espírito traz em si todas essas virtudes. É como se fosse uma fruta com nove sementes, cada qual com sua importância, e são sementes prontas para frutificar. Quem tem o fruto do Espírito tem em si o caráter de Cristo. E frutifica no reino, na obra, no dia-a-dia.

Nós vamos falar, sim, sobre maldição. Mas peço a quem se interessar por essa matéria que se desarme, que deixe de lado a “viseira” imposta por superiores. Peço que deixe de lado a ideia pré-concebida, ou a ideia concebida através da leitura de textos preparados para “doutrinar” um exército de “imbecis” subjugados à vontade daqueles que deveriam ser os primeiros a nos levar a conhecer a VERDADE, pois só a VERDADE nos liberta.
A Bíblia diz em João 8:31-32:

“Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”

Primeiro, é necessário que entendamos bem o texto acima. Observemos bem. Quem está falando ali, aos discípulos, é o próprio Jesus. E ele diz aos discípulos: “se permanecerdes na minha palavra”. Na palavra dEle, de Jesus! Por que, então, que como um bando de “alienados”, perdemos nosso tempo – muitas vezes nossa identidade – dando ouvidos a “outras palavras”? Dando ouvidos a palavras de homens cuja função – entre outras condenáveis e desprezíveis – é complicar um Deus (Jesus) que é tão simples, tão direto e tão verdadeiro?
Notemos mais: Ele diz: “sereis meus discípulos”. Discípulos de Jesus. Quem segue a Jesus, quem (pelo menos) tenta ser como Ele, é discípulo dEle! Por que, então, perdemos nosso tempo seguindo ideias, ensinamentos, complicações arquitetadas por homens cuja função, repito – entre outras condenáveis e desprezíveis – é complicar um ensinamento que resume, sintetiza toda lei e os profetas num único mandamento: “Amai-vos uns aos outros”, claro, amando a Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa alma e com todas as nossas forças.
Amar uns aos outros é tolerar, respeitar; é reconhecer valores; é não desejar ao outro o que não queremos que aconteça conosco.
Continuando no versículo destacado acima, temos ainda: A verdade vos libertará. A verdade é Cristo. E Cristo sem complicações. Ele mesmo disse:

“Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João 14:6)

Então temos, direto da boca de Deus: “E conhecereis a verdade”; e “Eu sou a verdade”.
Dito isso, vamos adiante. Notemos que os verbos conhecer e libertar (conhecereis a verdade e a verdade vos libertará) estão no futuro: conhecereis (vocês vão conhecer); libertará (a verdade vai libertar). Bem, se nós cremos em Cristo, é porque O conhecemos (Ele é a Verdade). Se O conhecemos, se cremos em sua Palavra, em seus ensinamentos, então temos já que ser libertos. É uma questão de lógica: se quando conhecermos a verdade, a verdade nos libertará, e a verdade é Cristo, repito, não é lógico que já sejamos libertos?
Daí, eu pergunto: Se já conhecemos a verdade, por que não somos ainda libertos desse emaranhado de ensinamentos que não têm outro objetivo que não o de levar-nos cativos a ideias, ensinamentos, “revelações” sem base bíblica, sem base científica, sem base espiritual?
Se a Verdade nos “libertará”, por que então que, ao conhecermos essa verdade, nos prendemos a dogmas e ensinamentos que nos colocam medo, opressão, que nos subjugam e nos deixam – repito – presos, cativos a ensinamentos vãos? Vão significa: debalde, inútil, sem base (nesse caso, sem base bíblica).
Se a verdade é Cristo, e se Cristo levou cativo o cativeiro, por que nos deixamos, então, ser caçados, presos e domados por homens que muitas vezes querem apenas ter seguidores, e que “em nome de Cristo” cometem absurdos, desmandos, ou ainda, insanidades, e que “em nome de Jesus” tentam roubar-nos o discernimento, a inteligência, o livre-arbítrio, a vontade própria...

“Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens... Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efésios 4:8)

Ele não só nos tirou do cativeiro, Ele tirou o cativeiro de nós! Não há cativeiro, com isso, não há mais cativos. Estar, ou ser cativo, para quem não sabe, significa: estar ou ser prisioneiro (por que ser prisioneiro, se Cristo nos libertou?). Ser seduzido por algo ou alguém (a Palavra nos alerta a não nos deixarmos seduzir por ensinamentos vãos); ser ou estar obrigado a fazer algo; atraído por alguém ou alguma coisa; estar sujeito ou subjugado a alguém (Jesus disse que o jugo dEle é suave, por que nos deixarmos ser subjugados por astúcia de homens insensatos?). Ser cativo é ser ESCRAVO!

“Fostes comprados por bom preço; não vos façais escrevos dos homens.” (I Coríntios 7:23)



Vejamos o que mais diz a Bíblia sobre maldição:

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.” (Gálatas 3:13)

Então, eu fico meditando sobre essa palavra acima e me perguntando: Se a Bíblia, a Palavra de Deus (na qual todo crente/cristão crê) me diz que Cristo nos resgatou da maldição, por que, então, eu devo viver dia e noite caçando “chifres na cabeça de cavalo”? Seria o meu Cristo tão fraquinho que, mesmo depois de tamanho sacrifício, tudo tenha sido em vão? Se o meu Cristo, do qual fala a Bíblia, venceu a morte, venceu o mal... será que deixou uma “maldiçãozinha” aqui e outra ali para que nós nos desviássemos do alvo, enquanto estivéssemos à procura delas para “apimentar” nossa “aventura de viver”? Ou viver é tão importante, tão sagrado que até vida em abundância Ele nos dá?
Na Palavra de Deus, o próprio Jesus nos diz que quem procura acha! Está lá em Lucas 11:9: “E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” (Tb. Mt 7:7). Isso mesmo, buscai e achareis! E ele não diz que é só coisa boa não! É geral! Você vai buscar/procurar e vai encontrar. Quem procura bênção, encontra bênção; quem procura encrenca, encontra encrenca; quem procura maldição, encontra maldição. Foi Ele quem disse!
Então, vamos parar de fazer papel de bestas e ficar procurando a besta em tudo!

Mas vamos às “maldições”:

POCAHONTAS

Li o que falavam do desenho da Pocahontas. Achei interessante pra não dizer cômico. Melhor dizendo, seria cômico se o assunto não fosse tão sério. Em várias matérias escritas (a meu ver) por “maldiçaonistas” de plantão, dizia-se que Pocahontas significaria “espírito do abismo”. Isso porque, no filme (que ninguém é obrigado a assistir) a índia chama, na beira do abismo, pelo espírito da avó... A indiazinha só fazia isso porque os índios acreditam que os espíritos dos guerreiros, dos caciques, dos parentes, dos mortos em geral continuam a vagar pelas planícies, pelos abismos, pelas selvas. Mas o filme da Pocahontas é PURA FICÇÃO! A mesma ficção encontrada em Mib – Homens de Preto; O Exterminador do Futuro; Aliens, etc. Os caras (autores) imaginam, dão asas à imaginação e escrevem. Vem um diretor e transforma em filme. Mas se os “maldiçãonistas” de plantão procurassem a história real, conheceriam a Pocahontas que existiu e que inspirou esse filmezinho.
Índia sim, cujo nome era Matoaka. Apelidaram-na de Pocahontas que, na língua dos Powhatan, significa “menina mimada”. Essa verdadeira Pocahontas (romanceada em desenhos e filmes à imaginação do autor), em meados de 1613/1614, vivendo na corte inglesa, foi evangelizada por Alexander Whitaker, recebeu o batismo e escolheu o nome cristão de Rebecca. Mais tarde casou-se com John Rolfe, ficando com seu sobrenome: Rebecca Rolfe.
Mas os caçadores de maldições (curses hunters) preferem colocar medo nos pais para que proíbam as crianças de assistirem ao filme.
Espírito do abismo... Eu chego a ficar ABISMADA com uma coisa dessas. Cá pra nós: esse espiritozinho aí seria mais forte que o Espírito Santo?
Por que não deixar que assistam e depois ensinam na escola bíblica que espíritos dos mortos não ficam vagando, que isso é uma crença dos índios, porque eles não conhecem Jesus?... Mas isso dá muito trabalho, não é? Bem... Daqui a pouco vão dizer que o lendário “bicho-papão” existe e que é o demônio responsável por papar almas de criancinhas...
Não se esqueçam do que eu declarei no início: sou crente evangélica, há mais de vinte e cinco anos, sou professora em Escola Bíblica (Bibliologia e Hermenêutica). Não estou criticando os meus irmãos em Cristo, estou criticando, sim, os que buscam maldição, mensagens subliminares e satanás de todo o coração (porque se dedicam de corpo e alma nisso) na “infeliz tentativa” de fazerem as pessoas cativas do medo.

RATIMBUM

Esse, então, extrapolou os limites. Li, em matérias dos que caçam o diabo em tudo (como seria bom se procurassem Deus em tudo...) que Ratimbum é um demônio da hierarquia demoníaca e que quando cantamos “ratimbum” numa festa, na verdade estamos dizendo “está amaldiçoado”. Jesus! Acenda a luz na cabeça desse povo! Tenha misericórdia!
No meu caso, fico até tonta com isso, principalmente por ser do Rio de Janeiro, lugar onde existe o maior número de onomatopeias do mundo! E não confundamos onomatopeias como um parente da centopeia. Já mostrei acima que é a figura de linguagem em que a palavra imita sons. A bandinha de música, uma fanfarra animada, faz Rátátá (som da caixa, instrumento parecido com pandeiro, porém fazendo uso de baquetas); Tim (som dos pratos); Bum! (som do bumbo). Tudo junto fica assim: Rátátátimbum (é o som básico da fanfarra). Daí, como esse termo é brasileiro e carioca, e como o brasileiro abrevia tudo (vossa mercê = vosmecê = você = cê = vc), achou-se melhor, mais sonoro e rápido imitar o som abreviado, ficando ratimbum! É como se depois de “parabéns pra você” (para que venham bens para você) o aniversariante fosse tão importante que teria até uma banda/fanfarra. Daí, os convidados imitam esse som.
Uma escola de samba do Rio de Janeiro – a Império Serrano – em 1982, ganhou o prêmio com um samba intitulado “bumbum paticumbum prugurundum”, dizendo logo depois dessa onomatopeia – imitação do som de instrumentos – “o nosso samba, minha gente, é isso aí”. Se a moda pega e os convidados, ao invés de imitarem uma fanfarra resolvam imitar o som de uma escola de samba, não demora muito para os caçadores de maldições elegerem outro demônio, talvez pai do ratimbum, cujo significado seria... vejamos... que tal: “Tu ‘tá’ amaldiçoado, condenado, estropiado e, o que é pior,  tu ‘tá’ pobre ‘mermo’!” Ao invés de druidas celtas, como dizem os caçadores, para o ratimbum, que é um termo que só EXISTE NO BRASIL, o termo bumbum paticumbum prugurundum, por causa do “mermo” seria, então, saudação satânica de um pai-de-santo carioca, mangueirense e flamenguista. Boa sugestão, não é? Enfim...

YABA-DABA-DOO / YABADABADU

Saudação do Fredy Flinstones quando algo dá certo, quando ele recebe boa notícia, quando está muito feliz e, principalmente, quando toca o sinal no trabalho encerrando o expediente.
Isso pra nós, claro, que apenas curtimos as trapalhadas dos personagens. Porém, há poucos dias, ouvi de um pastor um significado tão demoníaco que os “maldiçãonistas” de plantão arranjaram para esse grito de alegria do Fred, que nem consigo me lembrar...
Sabem quando um político inventa coisas a respeito de outro para que não se vote nele? Pois é. Acontece o mesmo nesses casos de atores, filmes, desenhos que fazem sucesso. Os líderes, incompetentes para aconselhar e convencer os fiéis de que se deve dar mais atenção para as coisas de Deus, preferem um caminho mais curto, colocando medo nos desavisados, naqueles que acreditam que os líderes são santos e que sabem absolutamente tudo, quase os endeusando.
Se o Roberto Carlos faz sucesso, tem pacto com o demônio. Se a Xuxa faz sucesso, tem pacto com o demônio.
Por falar em Xuxa, li uma entrevista com a Aline Barros, pra quem a Xuxa abriu espaço no programa, e ela, a Aline, em momento algum cita qualquer “endemoniação” por parte da Xuxa, ao contrário, diz que a admira e que é uma pessoa legal. Tão legal, não é, irmãos, que a Aline até cantou pra ela “Minha rainha, minha estrela encantada, você é iluminada pelos raios da paixão”. Abafaram o caso? Sim! Não é bom que as pessoas vejam a Xuxa simplesmente como atriz que é. Porque os líderes espirituais JAMAIS aceitarão concorrência!...
O Cid Guerreiro, ao se converter ao evangelho (o autor de “Ilariê”, música que os caçadores de maldição diziam que o diabo falava ao rodar o disco ao contrário) disse o quanto havia tomado birra do evangelho e dos crentes por essa insanidade de dizer que ele havia feito pacto com o diabo para fazer a música. Ele foi entrevistado no programa Balaio.
Então, devemos crer que só o diabo dá vitória? Que Deus não é poderoso o suficiente para proporcionar o sucesso às pessoas de talento?
O cara luta para conseguir o seu espaço, dá duro, compõe músicas românticas, que falam de amor, ou música infantil, pede a Deus para abrir as portas (independentemente da religião, ele crê e espera em Deus). Quando o sucesso chega... foi por obra e graça do DIABO?!?!?!
Por que dar glórias ao DIABO? Por que dar tanto crédito a ele?
Em relação ao Iabadabadu, por exemplo, os crentes satanistas (só posso classificar assim um crente que vive em função de fazer apologia ao diabo), simplesmente porque o desenho e o filme fazem sucesso há décadas, decidem que o grito de alegria é evocação às forças do mal. Pra quê? Pra que as pessoas (adultos e crianças) não se desviem de seu jugo, de suas rédeas. Por quê? Porque senão os seus “marionetes” (pois é assim que tratam os membros de suas igrejas) vão trocar o culto pelo cinema, ou a escola bíblica pelo DVD.
Estou me lembrando de outro desenho da minha infância. Havia o coelho Ricochete e ele dava gritos de guerra assim: Yahoo! Yacadá! Yacadácadácadácadá! Se o desenho tivesse feito o mesmo sucesso dos Flinstones, dos Simpsons, da Turma da Mônica (em que os maldiçãonistas só veem o “coisa ruim”), o que significaria o grito do coelho Ricochete? Quero nem especular. Boa coisa não ia sair mesmo!
Se você procura, com certeza vai achar. Sejam formas de animais nas nuvens, seja o diabo falando num disco ao contrário. Nesse caso, o diabo não vai estar lá, mas a pessoa procura com tanta fé que acaba achando.
Eu, às vezes (e me desculpem meus irmãos), sinto até certa vergonha de dizer que sou crente. Não de dizer que creio em Jesus. Claro que não! Desse eu não me envergonho mesmo! Mas me envergonho de dizer que sou crente, ou, o termo mais usado: evangélica. Por quê? Irmãos, com essas sandices, com esses desatinos, com essa atitude de “Maria vai com as outras” do crente, pessoas debocham da gente! Riem da nossa cara, por causa da idiotice dos caçadores de maldições... A ponto de, por exemplo, o grupo Engenheiros do Havaí, na música Ilusão de Ótica, ter feito de propósito para pegar os tolos. Eles colocaram uma frase toda ao contrário no disco, e quando os caçadores de maldições rodam o disco ao contrário, ouvem claramente: “Por que você está ouvindo isto ao contrário, o que você está procurando, hein?” Fizeram de propósito para ridicularizar os fanáticos por inverterem todas as músicas que ouvem. Aliás, como o grupo mesmo diz: “são ótimos consumidores que compram tudo o que sai para ouvir ao contrário!” Que vergonha, meu Deus!
Mas suponhamos, por alguns segundos, que os maldiçãonistas tenham razão. E daí? Em que eu devo acreditar? A Palavra de Deus me diz que:

Como ao pássaro o vaguear, como à andorinha o voar, assim a maldição sem causa não virá (Provérbios 26:2)

MALDIÇÃO SEM CAUSA NÃO VIRÁ! Isso é verdade! Isso é Palavra de Deus!
Na minha opinião, quando a pessoa fica caçando maldição, está dizendo pra Cristo: “Jesus, Sua Palavra não me basta. Tomara que o Senhor não tenha levado toda a maldição sobre si, porque eu preciso de maldição para viver... Bênção não dá IBOPE, não faz correr adrenalina, é maçante... Prefiro o campo da maldição.”
Ficamos sendo vistos como pessoas que pregam que Cristo é a cabeça da Igreja, mas não tiramos o diabo da cabeça...
E é por isso que o Evangelho parou. Porque o crente NECESSITA do diabo como um mal-necessário para o “crescimento” da igreja. O povo precisa ter medo do diabo, do olho gordo, da inveja, da maldição, precisa fazer correntes, campanhas, passar pela fogueira santa, pela tenda dos milagres, precisa fazer banho de descarrego... Ufa! É pelo medo que preferem atrair os “perdidos”. Aí eu pergunto: somos crentes, ou “boacumbeiros”?
Os apóstolos – a Bíblia nos mostra – praticamente não falavam de diabo, satanás, inimigo, inferno... Eles pregavam, sim, as boas-novas, o evangelho, o perdão, o amor, a misericórdia, a salvação. Por isso a igreja crescia. Eles GANHAVAM almas. Não ATRAÍAM almas. Eis a diferença!
Vamos crescer, irmãos! Vamos parar de fazer referências e de perseguir os espíritas kardecistas ou de que segmento forem, os rosacruzes, os umbandistas, as Testemunhas de Jeová, mórmons, etc. Deixemos que Deus cuide disso. Ele não nos constituiu juízes da humanidade.

“Que direito temos de nos achar melhores do que os outros? Quem nos constituiu juízes dos homens? Não há lugar pra segregação entre os homens. Cristãos, judeus, hinduístas, muçulmanos, espíritas, ateus, estão todos em um mesmo barco. A distinção entre passageiros de primeira classe, da classe executiva e da classe econômica perde completamente o sentido quando o piloto anuncia que o avião está caindo.” (www.extremosulgospel.com.br/jesus-transgressor-de-fronteiras).
“Deus não nos fez juízes de ninguém. Ele nos fez amigos. E amigos entendem, amigos se dão as mãos, amigos oferecem ombros, amigos respeitam as decisões dos outros e desejam a felicidade para eles acima de tudo. Antes de julgar, ore. Antes de falar, reflita.” (www.leticiathompson.net/amor_e_costume.htm). Até porque, se isso não acontecer, continuaremos a ser vistos não como povo de Deus, mas como povinho que se diz de Deus, mas que na verdade não passa de um povinho preconceituoso, hipócrita, que quer fazer o papel de Deus, quer acusar, julgar e condenar.
Se tão-somente seguirmos o Mestre, seguiremos sua lição no sermão da montanha: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados, perdoai, e sereis  perdoados, dai e dar-se-vos-á...” ( Lc  6: 36-38)
Não precisamos ser coniventes, mas TOLERANTES. Jesus ensinou a tolerância (Lucas 9:49-50). João chegou para Ele dizendo que viu um homem que, em nome de Jesus, expelia demônios, e que ele, João, não achava isso certo, pois aquele homem não os seguia, não seguia Jesus. Então, o Mestre respondeu que não deviam proibir. Disse-lhe que deixasse, pois quem não é contra o evangelho, é a favor. O que Ele quis dizer com isso? Simplesmente que Ele procurava seguidores, que criam nEle, que pregassem o Evangelho, independentemente da “marca”, da “placa” da “denominação”. Em Marcos 9:38-41 essa passagem está mais detalhada.
Eu já começo a me preocupar com esse desenho que a Discovery Kids apresenta e que já faz grande sucesso entre adultos e crianças de todo o mundo: Os Backyardgans. O desenho é envolvente, criativo, educativo. As músicas são excelentes.
Eu me preocupo, pois não vai demorar muito para que os crentes satanistas caçadores de maldições, a fim de brecarem a audiência, façam medo e obriguem os pais a proibirem que seus filhos assistam. Vão criar uma “maldiçãozinha básica” para o desenho. O que será? Se vale uma sugestão, poderão dizer que o Pablo (por ser meio mexicano, boliviano, sei lá) tem o espírito do vício da maconha e cocaína, e, em “mensagens subliminares” vai fazer com que desperte a vontade do vício nas crianças. Vejamos: o Tyrone, por se assemelhar a um alce, poderão dizer que traz o espírito do homossexualismo (alce, veado... gay); Vamos adiante: a Uniqua... bem, poderão dizer que o U, na verdade, seria uma mensagem subliminar de I, daí, a personagem seria Iníqua, de iniquidade; Mais: a Tasha lembra Natasha, que abreviado poderá ser Sacha. Daí, vêm os devaneios, Sacha, Xuxa, satanismo... Ufa!!! Quanta criatividade! E ainda: Austin. O que poderíamos inventar? Ah, já sei, de trás pra frente, fica Nitsua. Daí, é só inventar um demoniozinho com esse nome. Pronto!
Fica aqui a minha sugestão para os “satanistas crentes em Cristo caçadores maldiçãonistas de plantão”.

nilmarialima@hotmail.com


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

IMPRESSORAS EPSON (Mais uma vez, é o consumidor quem sai perdendo)

Até quando continuaremos sendo subjugados à vontade das poderosas empresas que, no afã de ganharem mais e mais, desrespeitam os mais básicos direitos do consumidor?

Lembro-me que há alguns anos (muitos anos, na verdade), na compra de um automóvel zero km, o contrato trazia uma “garantia opcional” ou “garantia maleável” – sei lá que nome se dava a isso – que terminava quando atingia um ou outro limite, por exemplo: “três anos de garantia ou ‘tantos’ quilômetros rodados, o que vier primeiro”.
Lembro-me, também, de uma reportagem num telejornal que informava que um promotor do Espírito Santo havia entrado com uma representação contra esse tipo de garantia, pois o consumidor saía perdendo com o termo “o que vier primeiro”. Então, o tribunal, acatando a denúncia, obrigou que as montadoras e/ou concessionárias substituíssem o termo para “o que vier depois”. Nesse caso, se o consumidor rodasse os quilômetros estipulados antes dos três anos, como exemplificado, podia continuar contando com a garantia até completar os três anos. Se por outro lado, um motorista que não saísse muito com o seu carro e em três anos ainda não houvesse rodado a quilometragem-limite, poderia continuar usufruindo da garantia até atingi-la.

Agora, voltando ao assunto EPSON. Muito interessante a propaganda das novas impressoras Epson que nos convence que é melhor trabalharmos com quatro cartuchos (preto, ciano, majenta e amarelo), pois, de acordo com a propaganda (a meu ver enganosa), o usuário só precisa trocar o cartucho que tiver acabado.

O que a propaganda não diz é que: se apenas um cartucho acabar, independentemente da cor, o sistema implantado pela Epson faz com que a impressora simplesmente pare de imprimir.

Vejamos: Se o ciano acaba, ainda que o amarelo, o majenta e o preto estejam novinhos (cheios), o consumidor não consegue imprimir nem um bilhetinho, mesmo que esse bilhetinho utilize apenas a tinta preta (uma carta comercial, por exemplo), ou seja, passamos a ser reféns de uma vontade unilateral que não nos dá nenhuma outra opção.
Reiterando: Três cartuchos cheios, inclusive o preto, que precisamos para imprimir uma carta comercial, mas não conseguimos executar o serviço de impressão, pois a EPSON resolveu que, ainda que eu precise apenas de uma cor, a impressora só vai funcionar se os quatro cartuchos estiverem com tinta.
E a propaganda enganosa grita aos quatro ventos: Você só vai precisar trocar o cartucho que acabar...

Sinto-me, como muitos outros consumidores arrependidos, que fui ENGANADA, passada para trás!

Que a Epson invista num sistema de cartuchos com chips, que evite que a máquina reconheça um cartucho “pirata”... Isso, acredito, é até direito da empresa, mas CONDICIONAR o funcionamento da impressora aos quatro cartuchos... isso já é um pouco demais.

Temos exemplo da Canon/Elgin que funciona com apenas um cartucho, se esse for o colorido.
Temos exemplo da HP que funciona com apenas um cartucho (seja esse colorido ou preto), sendo que as duas marcas citadas ainda aceitam cartuchos recarregados ou similares.

Então, eu pergunto: É na marra que a Epson pretende prender/fidelizar os clientes?

Se até as operadoras de celular já estão (até mesmo por força de lei) oferecendo aparelhos desbloqueados, por que então a EPSON adota esse retrocesso?

Resumindo: Vou quebrar a minha Epson Stillus TX 125 e comprar uma
HP multifuncional. Quero, no mínimo, respeito! Ah, e vou fazer jus ao cargo que ocupei durante muitos anos: promotora/demonstradora de produtos.

Como demonstradora eu conseguia transformar o benefício do produto em necessidade para o consumidor, então, dá para imaginar no que eu posso transformar o malefício de um produto...

Leiam mais artigos em www.oartigo.com e no Blog (http://blogdanilmíssima.blogspot.com)

domingo, 30 de outubro de 2011

Carta Do Lula